domingo, 7 de fevereiro de 2010

Saliva.

Boca sua, na minha. Rosa.
Se flor, chove em mim sua chuva.
Se cor, pintada de fogo.
Se beija, se morde, fruta.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tempo, não.

O que fazia não era, para si, o ideal. Partir o tempo em pequenas fatias e entregá-las uma a uma a diferentes mãos, que não eram palpáveis. Afinal, o que era o tempo? O que era o tempo senão um limite; um risco no chão de terra, gritando “Daqui, não!”. Ela gostaria era de poder abraçar o vento num dia e dar-se conta dos fios de cabelo brancos estações à frente, como se estivesse a desabraçá-lo depois de um segundo eternizado, depois de uma doce sensação, apenas. Queria o que fosse inteiro, sem pressa ou lentidão. Ansiava, semi-equilibrada, pelos sentidos surgindo dos poros, sempre abertos. Recusava os degraus, as filas, as seqüências. Não gostava do termo “ordem alfabética”. Nada de números crescendo ou decrescendo. A vida acontecia, constantemente, dentro dos seus olhos, como um desenho de criança, num imenso papel sem bordas, coloridos com giz. Onde os pássaros voavam baixo, o sol sorria usando uns óculos escuros e as pessoas eram maiores que as casas. Entretanto, havia o risco na terra e as mãos, estendidinhas, exigindo fatias. Ela estava aprendendo a dizer não.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Can you feel it?

Confundiu-se sem saber o que estava pedindo. Um pedido feito com os olhos, com as mãos, com os cabelos, penteadinhos. Talvez fora uma nostalgia qualquer. Talvez fora mesmo uma vontade de falar do amor e senti-lo soprando em cada palavra, ventando em cada gesto. Pedia por isso. Só não reconhecia, assim, concretamente. Saudade poderia não ser o que melhor definira seus sentidos. Quem sabe o medo? O medo de o amor escorrer pelos dedos. Só, e só porque era demais. Demais tudo aquilo de amor e devaneios, que nunca experimentara. Não ousaria perder um expirar desse ar que lhe dera vida; ar que arrepiava seus pelos. Queria apenas ouvir essa respiração como a quem a perde e precisa buscá-la fundo. Inspira, expira. Estava tudo bonito e ela não sabia lidar com isso. Moça que era, quase que uma criança.