quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ela telefonou,

porque a vontade de ouvir aquela voz era tão intensa que suas mãos coçavam, até. Não, ela não tinha nada específico a dizer. Afinal, o dia não fugiu do comum. O dia tinha sido como os outros, recheado das atitudes rotineiras e, felizmente, daquela boa 'sensação de'. Ah, me esqueço! O dia seria comum, sem nenhum tempero, não fora ela tê-lo visto pela manhã. É, me enganei. O dia não foi tão comum quanto disse. Ela tinha a boa 'sensação de' e também tinha visto-o. Para recarregá-la, bastava a energia que ele liberava ao tocar suas mãos, lábios e abraçar seus abraços. As ondas de sentimento transbordavam na sua voz [e em todo o resto]. Eu falava da ligação, certo? Certo! Ela precisava telefonar, ainda que fosse só para ouvir. Porque, claro, não seria qualquer um ou qualquer outro ... Seria ele do outro lado da linha.

- Boa noite, amor.
- Amor! (Com a letra
'o' elástica.)
(...)

E eu não preciso nem dizer que bastaria aquilo, preciso?! Certo, bastaria! Mas eles continuaram. Continuaram, com aquelas frases que aparentemente não declaram muito, como '
meu dia foi ...', 'meu dia não foi ...', 'fiz ...', 'fui ...'! A diferença era o complemento, eu diria. Ou, melhor que isso, as entrelinhas. Um 'boa noite' com sabor de 'como é possível tanta saudade?'. Um 'eu fui ...' com cheiro de 'queria que você estivesse!'. E, francamente, era isso o que os diferenciava, a essência. Ao telefone, frases sucedidas de louvores àquela manhã que, pela presença indispensável de um para o outro, tirara a sensaboria a qual o dia estava predestinado.

- Amor, como fiquei feliz por você ter me ligado!

É, existe sim quem considere tudo muito clichê e isso é uma pena. Mas, certas considerações eram-lhes descartáveis. Não importava a ela a ordem em que as palavras escapavam. Não importava a ele que o gasto da ligação era de um terceiro. Eles queriam falar mais. Queriam ouvir mais. As horas daquela manhã não foram o bastante, dirá os poucos minutos ao telefone! Infelizmente, ela precisava desligar, pois já estava tarde. Mas, garanto-lhes uma coisa: o que permitiu que eles desligassem foi a certeza de que, embora longe, eles estariam ali, um para o outro. Ah ... Olhem para mim, errada de novo! O que permitiu que eles desligassem foi a certeza de que, embora longe, eles estariam ali,
um dentro do outro. Agora então, eles podiam dormir em paz.
-
-
E sonhe, enfim, pensando sempre em mim.
Na carícia de um beijo que ficou no desejo!
Boa noite, meu grande amor.
-Elis Regina.

13 comentários:

Bruno disse...

Poucas sensações são melhores do que essas...

• Camila disse...

Que lindo isso que voce escreveu!
aiii que fofo!

A distancia não é muito boa mas QUANDO TEM AMOR TUDO SUPERA NÉ!

Antônio disse...

Lendo um texto como esse, ainda dá pra ter esperança que o romantismo não tenha sido apenas uma fase da Literatura que já morreu, apesar de parecer em extinção.
Por mais que essa chama não esteja ardendo dentro de mim hoje, fico feliz quando vejo pessoas apaixonadas, porque essa é a melhor maneira de chegar mais pertinho do céu.

Beijão, moça!

Idylla disse...

Eh realmente o amor esta no ar no blogspot hauhauhauhauhuahau!!!!
beijinhos e amei seu texto, vc escreve muiiito bem...

"love's in the air"...

Regi disse...

Nem fala em vontade de ouvir a voz!!!
Hoje passei o dia esperando meu esposo me ligar, pois ele foi fazer uma viagem de negócios e eu fiquei com uma sensação ruim quando ele saiu de casa!!!
CREDO!!!
Mas graças a Deus ele já me ligou e esta tudo bem!!!!
Ouvir a voz de alguém seja por amor ou por preocupação é sempre maravilhoso....
Beijos e ótimo final de semana!!!!

Paz... disse...

Adorei, como sempre. Vc tem o dom e inspiração pra isso. heheh!

Camilla disse...

Ai que lindo!!
É um casal fofico mesmo :)

Parabéns!!

Roney disse...

Caramba.. Você escreve muuito bem!
Muito bom o texto! Maravilhoso!

Paz... disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Paz... disse...

Laysla... q aconteceu com o blog da Mi, vc tem notícias?

Filipe Garcia disse...

Oi Laysla,

Clichê? Que clichê que nada! Quando é que romantismo fugiu do óbvio? rs. Pequenas coisas acontecem dessa forma e é o que faz bem, é o que ajuda a construir um relacionamento.

Gostei da poesia do seu texto. Ficou bonito demais.

Beijo

Regi disse...

Oieeeeeee....
Vim lhe desejar um final de semana quentinho e bem loge desse frio....rs
Beijosss

Manuela disse...

U-A-U! =D