segunda-feira, 21 de julho de 2008

Segunda porção.

Clarissentindo.
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Que Eduardo doava-se com facilidade, Clarisse já havia percebido. Um homem belo como nenhum outro, romântico com todas as suas proezas e com uma leve pitada de divertimento, não era tão simples de encontrar. Quando Clarisse lia seus livros de romance, senti-se lendo o próprio Eduardo. Ouvindo tantas palavras doces e contentes vindas dele, ela sentia uma necessidade, bonita até, de ficar e silêncio e ouvir apenas a musicalidade como as palavras, uma a uma, saíam em perfeita sintonia. Assim o encantamento mantinha-se solto, livre. Clarisse sentia-se responsável por cultivar todo e qualquer momento que estivessem juntos. Passava parte do tempo pesquisando sobre bons filmes, daqueles que misturam beijos e sorrisos. Preparava receitas que havia aprendido com sua mãe quando menina. Clarisse sempre se lembrava das vezes em que sua mãe dizia que se conquistava um homem também pelo estômago [mal sabia a mãe de Clarisse que, com todo encanto que tinha, nem ao menos precisava saber cozinhar]. Eduardo era romântico e sempre manteve vivo um ‘Q’ de juventude por dentro. Era como um homem e um menino ao mesmo tempo. Ainda que quisesse [e ela não queria], Clarisse não poderia livrar-se do novo gosto que Eduardo deixara em sua alma. A chegada de Eduardo, de tão necessária, fez com que a casa de Clarisse sorrisse outra vez. Faziam amor com paixão, preenchiam com aquele tato doce, puro, e assim descobriam-se ainda mais. Num encontro, um dia desses, Eduardo levou flores. O coração de Clarisse quase saltara pela boca. Todo o cuidado que tivera para preparar o jantar, escolher minuciosamente um filme e perfumar a casa com os seus incensos, parecia-lhe terem sido gestos recompensados quando olhava para olhos contentes de Eduardo com aquelas flores amarelas nas mãos. Em meio a uma situação tão nova e tão bela, as palavras não ousavam sair. Talvez Eduardo sentisse falta, uma falta quase que irreparável, dessas tais palavras. Clarisse culpava-se por isso. Eduardo doava-se tanto. Falava de sua família, de suas molecagens de criança, sobre a bagunça que já haviam causado em sua vida... Enquanto ela ouvia, apenas. Ouvia-o com um olhar de admiração, embora as poucas palavras não deixassem transparecer. Quando não se encontravam, Clarisse deitava-se mais cedo. Com seu abajur aceso, lia alguns dois ou três capítulos de um de seus livros e quando ia dormir, como se a leitura a tivesse inspirado, imaginava todo um conto em seu pensamento tratando do que havia de acontecer entre ela e Eduardo. Toda aquela transparência que Clarisse via nele, a mantinha ainda mais atraída. Enquanto Eduardo andava vagaroso da cozinha até a sala, com suas meias ‘brancas-pretas’ ainda nos pés por causa do frio, e voltava com mais uma garrafa de vinho branco nas mãos, Clarisse notava cada detalhe de movimento e expressão. Embora não se expressasse com atitudes comuns de agrado, crescia nela uma imensa necessidade da presença de Eduardo. Um medo, um receio qualquer de perder o tinha encontrado por puro acaso (?), era o que a fazia agir com tamanha delicadeza. Carregava esse presente como objeto de louça. E ainda que a razão dissesse a ela que Eduardo precisava de alguém tão claro e simples como ele, Clarisse não podia deixá-lo. Não podia porque, embora levemente perdida em meio a tanta entrega e paixão, ela via-se completamente arrebatada por ele.
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Acontece que, como diria Fernando Anitelli:
Os opostos de distraem, os dispostos se atraem.

14 comentários:

Cámila disse...

Meninaa que doida essa Clarisse eim!
Ela não pode ficar só ouvindo ele, ela tem que compartilhar as coisas dela tamém
ELE PODE SENTIR FALTA!

Beijooos amei o texto linda!

Camilla disse...

Que bonitinho...
Eles são lindos!!

F. G disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Michele disse...

E eu só sei que essa sensibilidade de Clarisse me comoveu do lado de cá! Quase pude vê-la em seus traços delicados e andar suave, numa certeza de viver a vida em sua plenitude e com toda a delicadeza que cada preciosidade merece receber!

Entendi-a. É o medo de fazer ou dizer algo de errado que a faz calar. Observar sempre foi meu forte também. Acho que sou um pouco Clarisse!

Mas sabe, entendo ainda mais Eduardo! Nada como a simplicidade dos sentimentos declarados! Quando você diz o que lhe vem à boca, direto do coração, sem tempo pra correções, nem vírgulas, nem porquês! Talvez Clarisse só tenha que aprender que valorizar o amor é também mostrar a ele o quanto é amado!

Palavras doces sempre embalam todo cuidado.



Ai, gente, como essa minha amiga é sensível e poética! Que orgulho! :D



Beijo enorme, querida!

Paz... disse...

Laysla querida... eu estou acompanhando seus posts viu...
só não comentei nada pq teus textos são tão perfeitos que nem precisam de comentários.
bjos!

Vinícius Aguiar disse...

Linda, vc definitivamente tem a mágica em suas palavras! Consegue misturar paixão, emoção, sensibilidade e realidade em seus textos, e transforma-os assim em algo prazerosamente maravilhoso de ser lido! Lindo conto, linda história, lindo sentimento...parabéns pelo talento e pela sensibilidade!
Beijos!

Tah disse...

Ah, mas falar faz um bem enorme... Clarisse deveria saber disso! Faria bem aos dois!
Isso é amor. Que lindo!
Isso dos opostos e dispostos virou tema do meu relacionamento rs
Beijosssss

Dani disse...

Olá Laysla
Tudo bem?
Vim agradecer a visita e as palavras queridas...e conhecer aqui.
Apareça ok?
Lindo aqui..palavras e visual..tudo muito bacana!
bjo

Dani faxina

Paz... disse...

ahh esses layout... e mexer com html então, vixi eu apanho até dele heheh.
mas oh, mesmo vc nao espondo seus selinhos ainda merece recebe-los. tem mais um pra vc la no dialeto. bjos!

Nadezhda disse...

Sou mais Clarisse que Eduardo. As pessoas se doam muito mais a mim. Eu fico aqui, escutando-as.

Gostei bastante do que li. Ainda não li mais coisas, mas por esse texto pretendo voltar mais vezes e com mais calma ;)

Michele disse...

Querida, tem selo pra você lá no meu blog! :)


Beijo grande!

Thay disse...

Ameeiiiii

Bjooo;***

Storyofprincess disse...

Oii
Sim é mesmo.
Seu layout é bem fofo huehuehuehuehu.
Podemos escrever o que quiser quando quiser
bjs

Leia + www.garagebottom.blogspot.com

Michele disse...

Querida, obrigada pelos parabéns, pelos votos de felicidade e por todas palavras doces lá no meu blog! Sei que são verdadeiras, de coração! :)

E você tem toda razão! Quando temos alguém que nos preenche nesses momentos tão especiais, sentimos que nossas vitórias estão, de fato, completas! :)

O selinho é só pra você saber o quanto gosto de me perder por entre linhas nesse seu canto!

Um beijo enorme!
E bom fim de semana!