Não sou tanto para dizer a você: irracional! Ninguém é tanto. Diante as circunstâncias, não tenho o direito de dizer que você não compreende, porque ultimamente ninguém tem compreendido coisa alguma. Parece-me que a função primária do homem tem sido a ocupação excessiva. Penso que somos flexíveis a ponto de perdermos os sentidos. E não há sol ou chuva que nos faça parar. Engraçado ... Sol ou chuva! Lembrei que há tempos não tomo um banho de chuva; banho daquela chuva gelada que a gente adora quando é mais novinho. E o sol? Peguei-me ontem, sentada à janela do trabalho, tentando sentir um pouquinho do brilho dourado na pele. Reparou que as fotos tornaram-se apenas memórias distantes? As cartas não chegam mais. As visitas são raridades. Ninguém se dá conta. De certo, temos nos preocupado demasiadamente com as coisas. Com as coisas! Perceba. O relógio está sempre marcando um tempo insuficiente. A adaptar-se, acostuma-se. Aprende-se com uma facilidade descomunal. Deu-se a largada da corrida (.) onde todos buscam alcançar (não se sabe o que, exatamente). Uma busca por algo que compense tudo. Os fins justificando os meios. Afastamo-nos, consequentemente, das pessoas, por investirmos tanto tempo para a conquista das coisas. Mas acontece que o tempo passa. Essa pessoa é você. Essa pessoa sou eu. E aquele que acaba de esbarrar no seu braço na calçada. E o outro a quem você acaba de dizer ‘alô’ ao telefone. Perde-se um pouco dos sentidos a cada momento que se cede ao provável, ao previsível; e mais, ao automático. Como disse uma amiga, as pessoas têm deixado despencar o azul, meu bem. Só aceitaria um pedido de desculpas se o azul que levo não despencasse nunca. Sabe do que mais ... Escrevo para recuperar os sentidos. Tem poeira aqui dentro que precisa ser sacudida e eu quero é ver a cor. Escrevendo eu posso sentir as coisas como realmente são. Escrevo porque amo. E para dizer ‘Está tudo bem! Só não percamos os sentidos.’, te escrevo hoje.
sobre o acreditar.
1 semana atrás


6 comentários:
Você diz uma verdade!
Ao te ler, lembrei de uma música cantada pela Ana Carolina cuja letra tem um pouco a ver com o que você escreveu. Se chama: "O Avesso dos ponteiros".
Já perdemos o sentido e o porque, é o que eu penso.
Abraços!
estamos todos perdidos... ?
Escrever... Que dom é esse de juntar palavras e fabricar viagens?
Hoje lendo seu texto, me senti em uma nuvem de algodão tentando compreende na íntegra o real sentido do mesmo.
Acontece que descobrir que ele fala do tudo e do nada, do simples e do complexo, do abstrato e do concreto. Me fez rever conceitos! E repensar que o tempo esta aí... E cabe a nós aproveitá-lo.
Parabéns!!!! Aproveite e use com sabedoria esse dom que tens.
Fundamental a idéia do seu texto, com certeza. Hoje nos preocupamos mais em ficar na frente do pc e da tv do que em ver os amigos e atividades q nos trarão mais satisfação!Voltei!kkkkkk;)
Linda, lindo texto...
Que bom que vim aqui hoje, para me lembrar de renovar o "sentido"...
Obrigada por isso que sinto aqui agora.
Um beijo!
Estás sumida....saudades de teus textos...
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